Português (pt-PT)French (Fr)
Exportar mais, mas com sucesso a longo prazo! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
luis2Quando há uns meses atrás e neste mesmo espaço, chamei a atenção para o avolumar da dispersão de iniciativas relacionadas com a exportação dos nossos produtos, por parte do empresariado português e que deveriam ser coordenadas pelos responsáveis governamentais do sector, com vista a optimizar os resultados e diminuir os custos dessas missões, estava longe de pensar que o Presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), viesse tão rapidamente a chegar a uma mesma conclusão.
Ao afirmar recentemente, numa conferência promovida por um banco inglês em Portugal, que "Em Portugal há uma overdose de missões e temos de nos entender sobre isto,...", sustentando que o Estado, Confederações e privados têm de estar sintonizados, Pedro Reis admite que a instituição que representa e que tem um importante papel a desempenhar na promoção e acompanhamento do comércio externo em Portugal, não consegue coordenar a multiplicidade de inciativas privadas, que a difícil conjuntura económica portuguesa tem impulsionado, na tentativa de escoarem os seus respectivos produtos.

Quando antes referi que, no aspecto particular das Câmaras de Comércio portuguesas espalhadas pelo mundo e bem conhecedoras do terreno que pisam, elas deveriam ser integradas numa rede que envolvesse a diplomacia económica, evitando a sobreposição de iniciativas e procurando cimentar as sinergias que daí resultariam, salientei apenas um aspecto, de todo o universo abrangido pelo comércio externo nacional, mas que acresce de importância para um pequeno País como o nosso.

Entretanto, nada foi concretizado, ou pelo menos pensado e o Estado continua a "reboque" das práticas privadas, tantas vezes descontroladas pelas dificuldades em penetrar isoladamente nos mercados externos, numa postura que, pese embora o mérito de quem não quer ser impositivo para com as empresas, como é o caso da AICEP e dos esforços espartanos das PMEs, para promover os seus produtos em mercados que mal conhecem, o facto é que, numa boa parte das vezes, essas iniciativas não produzem os resultados esperados e esgotam os recursos financeiros das empresas.

A actual dinâmica empresarial portuguesa, no que diz respeito essencialmente às PMEs, a braços com a drástica diminuição do consumo interno e perante o binómio: "ou conseguem exportar ou fecham", não se compadece com o tempo de organização da máquina do Estado, porque não têm tempo para esperar! Compete aos governantes e, nomeadamente, aos responsáveis por este sector económico, prever as consequências das suas políticas, antecipando as necessárias medidas de coordenação deste esforço nacional, que constitui a exportação dos nossos produtos, com base na eficácia dos processos e no tempo útil para as empresas.

Com base no memorando da "Troika", que tem servido de base à governação do País, a actual situação económica portuguesa já estava descrita há muitos meses e os seus efeitos, sobre o tecido empresarial português, era perfeitamente conhecido. É da competência do Estado, em associação com todos os parceiros económicos nacionais: esclarecer, sensibilizar, apontar caminhos e soluções às empresas, através das suas instituições, criadas para esses fins e não aguardar, enquanto espectador crítico, que a situação atinja a fase de implosão!

A actual política exportadora de "Todos ao molho e fé em Deus", embora geradora (até agora...) de um crecente volume das nossas exportações, está previsivelmente condenada a um retrocesso, vítima de uma descoordenação que engendra o insucesso de muitas missões mal preparadas e que, inevitavelmente, provocará o abate de muitas das empresas que se envolveram nessa aventura. Face às dificuldades das nossas indústrias e dos seus processos de fabrico, a multiplicação de missões económicas portuguesas concorrentes, sobre os mesmos mercados, acabará por completar o "ramo" das dificuldades, tornando as empresas objecto das mais variadas especulações, por parte dos importadores.

Todos acreditamos que Portugal precisa de aumentar ainda mais as suas exportações e todos sentimos a necessidade de contribuir para esse desígnio nacional. Mas nem todos estamos dispostos a correr atrás do imediatismo porque, com base nos erros do passado, também no domínio da nossa economia exportadora, queremos um Portugal para o futuro!
Luis Barreira
 

Sondagem

Na sua opinião que governo adoptou melhores medidas anti crise?