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Os desafios actuais PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por F Da Silva   
Terça, 07 Setembro 2010 15:46
Com o inicio da actual crise financeira mundial, em 2007-2008, o ambiente económico deteriorou-se bastante em Portugal, com importantes consequências para as empresas e o emprego tanto em 2008, como em 2009 e 2010.

O PIB de Portugal que era de 163 mil milhões em 2007, ou seja um PIB per capita de 15.382 euros (Luxemburgo: 37,4 mil milhões), não teve crescimento em 2008 e contraiu-se de -2,7% em 2009 (Luxemburgo: -4,1%).

Em 2010, a situação restabeleceu-se um pouco mas ainda não o suficiente para modificar o panorama de austeridade que anteriormente já existia. No entanto, ultimamente, Portugal parece ter recuperado mais do que outras economias europeias, tendo registado um crescimento do PIB de 1,4% durante o segundo trimestre de 2010. Esta melhoria estatística, não deve ocultar o facto que existe uma verdadeira recessão a nível do emprego. Em Julho de 2010, a taxa de desemprego ultrapassou oficialmente os 10,1% da população activa (Luxemburgo: 6,1%).

Na sequência dos problemas ocorridos com a dívida grega desde o início de 2010, o Governo português estabeleceu – à semelhança dos outros países europeus - um Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC). Este programa de consolidação fiscal contém diversas reformas estruturais ainda mais drásticas do que aquelas já realizadas no âmbito do Plano de Acção decidido em 2005.

Em consequência, foram redefinas as prioridades económicas e governativas, que podem ser resumidas da seguinte forma: menor crescimento da despesa pública, melhoria do desempenho da economia portuguesa, redução do desemprego, maior exportação e internacionalização das empresas portuguesas.

Essas metas levarão algum tempo a ser alcançadas, sem esquecer o impacto que algumas dessas reformas terão, numa primeira fase, sobre a economia e na política interna (aumento do emprego precário, por exemplo).

Enquanto na década de 1990, a dívida externa do país era de aproximadamente 8%, esse indicador tem aumentado constantemente até alcançar hoje um nível de cerca de 80% do PIB (Luxemburgo: 14,5%). Esta situação resulta do facto que a economia portuguesa, ou seja as empresas, as famílias e o Estado, têm utilizado durante anos a fio o alavanque do endividamento para financiar o seu crescimento.

No que diz respeito a estatísticas comparativas, o PIB de Portugal situa-se em torno de 75% da média da UE-27 em unidades de poder de compra (PPC). Segundo The Global Competitiveness Index 2009-2010, Portugal situa-se a nível mundial no 43° lugar, numa tabela classificativa liderada pela Suíça, Estados Unidos e Singapura e onde aparecem em 7° lugar a Alemanha, em 10ª° os Países-Baixos, em 13° a Grande Bretanha, 16° a França, 18° a Bélgica e 21° o Luxemburgo (com uma subida de cinco lugares desde a última edição deste indicador estabelecido pelo FMI).

A título de comparação, a vizinha Espanha está em 33° lugar e a Itália em 48°, um lugar acima da India e oito acima do Brasil.

Segundo The World Competitiveness Scoreboard 2010 estabelecido pelo IMD de Lausana, Portugal é classificado no 37° lugar, enquanto Luxemburgo aparece no 11° posto, numa classificação liderada desta feita por Singapura, Hong Kong e os Estados Unidos da América.

O nível de produtividade é uma questão recorrente em Portugal, tanto mais que a dos seus vizinhos e concorrentes cresce mais do que portuguesa, facto que acarreta consequências futuras para a competitividade do país e de que a população portuguesa nem sempre se apercebe.

Quanto ao sistema financeiro português, até hoje este não foi praticamente afectado pela crise financeira global, com excepção de dois estabelecimentos relativamente pequenos. De salientar que o sector é bastante concentrado: os cinco principais bancos controlam cerca de 80% do mercado. Trata-se da Caixa Geral de Depósitos (banco público), do Banco BPI, do Banco BCP, do Banco Santander Totta e do Banco Espírito Santo, grupo controlado pela família Espírito Santo.

A família Espírito Santo tem uma longa ligação ao Luxemburgo. Um dos seus membros foi cônsul do Luxemburgo entre 1936 e 1940, e por essa razão acolheu, na sua casa em Cascais, a Grã-duquesa Charlotte e restante família grão-ducal , na origem da sua passagem por Portugal durante o seu exílio da II Guerra Mundial.

Voltando ao sector financeiro, de sublinhar que todas as principais instituições bancárias portuguesas estão presentes ou representadas no Luxemburgo, à excepção do Banco Santander Totta que encerrou a sua agência ao público em finais de 2007.

Em matéria de comércio externo, Portugal reforçou os seus laços económicos com os países emergentes, onde aliás já estava presente muito antes da crise, afim de compensar a contracção da actividade dos principais parceiros na Europa,. Um desses países é o segundo maior produtor de petróleo em África, Angola, que como se sabe é também uma das potências económicas do continente africano.

Fora da União Europeia, que absorve cerca de 70% das suas exportações, e para além de Angola, os cinco principais parceiros económicos de Portugal são Singapura, Brasil, China e os Estados Unidos da América.
Actualizado em Domingo, 26 Setembro 2010 14:35