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Nacionalizações de bancos em catadupa na Europa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
O neoliberalismo europeu prega algumas partidas e, como ironia da história, este é o momento em que grandes bancos europeus se preparam para recorrer a ajudas públicas.
Les nationalisations partielles ou totales auront lieu dans toute l'Europe. Au Portugal, il est possible d'utiliser des fonds publics et la BCP et BPI l'ont déjà admis. Le BES et Santander ne recoureront pas aux capitaux de l'Etat, tandis que la Caixa indique qu'elle recourera èas aux fonds de la troïka.
Cerca de 70 bancos europeus vão precisar de ser recapitalizados. Os números são da EBA, a Autoridade Bancária Europeia, que sustentam a necessidade de uma injecção de 106 mil milhões de euros para a recapitalização da banca do "velho continente". Portugal precisa de 7804 milhões de euros e os planos de recapitalização desta indústria terão de ser apresentados até final deste ano.

A situação da banca portuguesa e irlandesa é diferente da restante banca europeia, já que estão sujeitas a obrigações mais restritivas, antecipando os rácios de capital. Para a generalidade da banca europeia, a recapitalização terá de ficar concluída até meio de 2012. A banca francesa necessitará de 8,8 mil milhões de euros, um valor relativamente pequeno quando comparado com as exigências aos bancos portugueses. Curioso o facto de ser a banca francesa a que mais subiu ontem em bolsa, cerca de 17% a meio da tarde, reflectindo uma antecipação de um cenário bastante mais pessimista.

A banca grega está sob o duplo efeito do "haircut" feito à dívida do país e à necessidade de mais volume de injecção de capital. A EBA calcula para este país cerca de 30 mil milhões de euros para recapitalizar as holdings dos grupos bancários. Este valor reflecte o facto de o perdão da dívida grega ter chegado aos 100 mil milhões de euros, metade da dívida, sendo que o maior impacto das imparidades é, precisamente, na banca grega, que responde por um quarto da dívida soberana do seu país. Cerca de 28% dos 106 mil milhões necessários para a recapitalização serão suportados pelos bancos gregos.

A banca espanhola tem necessidades de 26,1 mil milhões de euros e a italiana de cerca de 14,77 mil milhões de euros. A banca alemã também vai precisar de se recapitalizar devido à exposição à dívida dos periféricos, calculando as necessidade em 5,18 mil milhões de euros.
Pelo acordo alcançado na madrugada de ontem, os privados vão assumir perdas equivalentes a 50% da dívida grega. Esta desvalorização, classificada de "voluntária", foi difícil de conseguir, já que muitos bancos entendiam o perdão como uma opção forçada.

Para além dos franceses, também a banca cotada no mercado financeiro alemão, grego e helvético registou fortes valorizações. Em Portugal, o BPI foi o banco que mais valorizou, cerca de 8%, logo seguido do BES com mais 7,5%. No mercado da dívida pública registou-se a queda dos prémios de risco das dívidas soberanas de Itália e França. A influenciar os mercados esteve ainda a decisão do Banco do Japão que decidiu reforçar o programa de compra de activos de 50 biliões para 55 biliões de ienes. Os dados económicos revelam que se voltou a reduzir o nível do indicador de sentimento económico da área do euro. Os analistas antecipam o risco de estagnação da actividade no quarto trimestre.

Fonte : Vítor Norinha, Oje