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A doença e a cura!... PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
luis2A última Cimeira dos líderes dos países da União Europeia revelou, pelos seus resultados, um conjunto de preocupações com os factores que estiveram na origem dos problemas actuais com a moeda única, mas pouco produziu para superar as ameaças imediatas de que o euro está a ser alvo.
Se as preocupações com o controlo e regulação dos orçamentos nacionais, tendo em consideração os seus limites de endividamento externo e déficite público, foram evidentes e de rápida execução prevista, a forma de actuação para superar os problemas que incidem sobre os países que estão numa difícil situação financeira e que têm sido submetidos a uma maior pressão dos mercados, arrastando uns e outros para uma crise sistémica tiveram, mais uma vez, a decisão adiada.

Se os objectivos anunciados para esta Cimeira pretendiam renovar a confiança dos mercados na zona euro e, de forma mais geral, na União Europeia, presumo que, ainda desta vez, tal não virá a acontecer. A "deserção" do Reino Unido, em relação às decisões maioritariamente assumidas, só veio ajudar a alimentar essa desconfiança.
A pressão especulativa sobre o euro continuará a acentuar-se, a alargar os seus efeitos a outros países da União e a exigir uma rápida resolução dos mecanismos institucionais europeus, capazes de financiar a sua estabilidade e o crescimento económico, nomeadamente dos países que apresentam maiores dificuldades estruturais nas suas economias.

As medidas agora aprovadas, servem para moralizar os Estados para o cumprimento dos interesses colectivos da UE mas, para atingir esses fins, não basta aceitar essas regras e promulgá-las como lei, é preciso ajudar a atingi-las. Tal como qualquer ser humano, vítima de uma doença grave, para o curar é necessário administrar-lhe, progressivamente, a dose certa de medicamentos, fazendo-o passar por um período de convalescensa. Caso contrário, estaremos a acelerar a sua morte por overdose de fármacos ou a criar-lhe outro tipo de doenças, que até podem ser epidémicas, contagiando outros doentes ou mesmo quem lhe administra os tratamentos!...

No caso português, um entre outros casos particulares de outros Estados, a maioria dos cidadãos compreende a necessidade de rectificar muitos aspectos da Admistração Pública do Estado, da organização do trabalho, da reestruturação do aparelho produtivo, da imposição de sacrifícios económicos equitativos, do respeito pelos compromissos internacionas assumidos e desejados, por forma a vencer a crise em que o País se encontra, recuperando o seu atraso económico e social, em relação aos seus parceiros europeus. Mas, à medida que os sacrifícios se intensificam, de forma abrupta, conduzindo muitos cidadãos e empresas à ruptura económica, verifica-se igual consequência na capacidade do Estado e dos privados, em financiar a renovação do nosso tecido produtivo, estimulando o seu crescimento.

Os portugueses, de forma geral, conformaram-se, no presente, com a perda do seu poder de compra e condições de vida, para possibilitar um futuro melhor. Sentem-se hoje cada vez mais apreensivos por verificarem que, a "receita" que lhes impuseram, é uma espiral interminável do seu próprio agravamento, tornando esse futuro inatingível.

Sofrem os trabalhadores e as empresas, as famílias, os pensionistas, os desempregados e os jovens, por falta de expectativas e soluções. Perde-se a esperança e a crise, que é física, acabará por tornar-se igualmente psicológica, impedindo qualquer esforço mobilizador das energias nacionais, para superar os problemas da nossa actualidade.

Numa época especial, que apela à solidariedade de todos, sobretudo daqueles cujas decisões poderiam implicar mudanças positivas nos destinos dos povos e na aproximação de um novo ano de maiores sacrifícios esperados, resta-me desejar a todos os associados da CCILL e respectivas famílias, um Natal feliz e um ano de 2012, capaz de projectar os vossos melhores desejos.
Boas Festas para todos.
Luis Barreira
 

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