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Portugal e as organizações empresariais da diáspora PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
luis2A 13 de Janeiro último realizou-se em Lisboa, nas instalações da CIEP (Confederação Internacional dos Empresários Portugueses), uma reunião interna das Câmaras de Comércio lusas e bilaterais, destinada a reorganizar as relações entre a Confederação e as respectivas Câmaras de Comércio, ao mesmo tempo que pretendia sensibilizar o Governo português para o relevante papel que estas entidades devem merecer, no esforço de internacionalização da economia portuguesa e na projecção das relações económico-financeiras entre Portugal e os países onde estas se encontram sedeadas.
O Presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Pedro Reis, participou igualmente em parte da reunião a que se seguiu um almoço com a participação do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas e do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário. O evento culminou numa audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém.

Os temas discutidos durante o encontro focalizaram-se em vários aspectos de interesses mútuo. Entre eles: as relações entre as Câmaras de Comércio e a CIEP, enquanto entidade que, em Portugal, pode e deve constituir-se como uma representação dos interesses das Câmaras e dinamizadora dos relacionamentos essenciais à actividade das mesmas; a necessidade de criação de uma rede de informação entre as várias Câmaras permitindo, entre si, optimizar o resultado de contactos, oportunidades de negócios e promoção de eventos, que surgem entre os países onde existem representações empresariais de portugueses e foram abordados, entre os interessados, vários aspectos relativos ao estabelecimento de relações institucionais entre o Governo de Portugal e as Câmaras de Comércio, reconhecendo o importante papel que estas podem desempenhar, conjugando os seus esforços com as entidades portuguesas, responsáveis pelo comércio externo e a diplomacia portuguesa.

Há anos que os empresários portugueses da diáspora e as suas organizações, chamam a atenção para o divórcio entre o Estado português e as suas organizações empresariais, provocando um afastamento progressivo entre uns e outros, cujo resultado final se tem concluído numa perca de interesses económicos, financeiros e sentimentais, para o próprio País.
Várias vezes os apelos realizados tiveram apenas palavras de aceitação e encorajamento, sem resultados práticos, situação que, de forma geral, tem provocado um descrédito nas intenções publicamente manifestadas e um abandonar dos esforços de aproximação empresarial, entre os empresários da diáspora e as instâncias governamentais portuguesas, responsáveis pelo sector. Cada promessa, plano ou estratégia, esbarrava em obstáculos de toda a natureza e alterações de última hora, que deixavam os empresários e as suas organizações suspensos nas indecisões e impedimentos de vária ordem.
No entanto e independentemente da procura de diversidade para os seus negócios, a falta de uma verdadeira diplomacia económica (mau grado a sua implementação teórica) não impediu que os empresários portugueses no estrangeiro e respectivas organizações, nunca deixassem de contribuir para o desenvolvimento de relações recíprocas com Portugal, razão pela qual muito das nossas exportações crescentes, se devem à sua atitude.
Esperamos, mais uma vez e declarada que foi a intenção de aproximar todos os agentes que, interna e externamente, possam multiplicar as relações económicas e financeiras com o País, que tal propósito se torne uma breve realidade, garantindo uma estabilidade duradoura de comportamentos entre todos os intervenientes e um franco propósito de atingir objectivos concretizáveis.

Todas as Câmaras de Comércio lusas e bilaterais, onde quer que se encontrem, podem contribuir, na medida da sua dimensão, meios e mercado, para o desenvolvimento de relações profícuas entre Portugal e o resto do mundo. Se bem que as economias emergentes, pelo seu peso na necessidade imediata de aumentar substancialmente as nossas exportações, devem merecer uma particular atenção, os países tradicionalmente importadores de produtos portugueses não podem ser esquecidos dos nossos esforços, na manutenção dos actuais volumes de negócio e na necessária diversificação das nossas exportações, nomeadamente no tipo, quantidade e qualidade dos produtos que Portugal produz e nas vantagens que os outros países possam proporcionar ao desenvolvimento da economia portuguesa.

Nada do que se disse poderá concluir-se numa verdadeira estrutura activa e vocacionada para o comércio externo de Portugal, acrescentando valor ao já existente, se não forem proporcionadas condições de organização, acção e responsabilidade colectiva para os intervenientes envolvidos neste projecto.
Cabe ao Governo português definir as regras e os procedimentos, sendo que, as Câmaras de Comércio, enquanto entidades empresariais privadas, não deixarão de proporcionar a sua colaboração na análise e realização dos fins propostos, desde que a sua formulação seja compatível com a dignidade institucional que merecem, os objectivos nacionais que respeitam e os interesses dos seus respectivos associados.
Luis Barreira
 

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